Guia de camuflagem do Brasil: os padrões usados hoje
Catálogo visual dos padrões de camuflagem em uso no Brasil, para reconhecer — não para copiar: por que usar farda oficial no airsoft dá problema, e o que a lei diz.
Nível 2 · Intermediário · Equipamento · 10 min de leitura · Publicado em 31 de agosto de 2026

Este é um catálogo visual dos padrões de camuflagem em uso hoje no Brasil — Forças Armadas e polícias. Serve para reconhecer o que você vê no campo, na notícia ou na vitrine da loja.
Não é um guia de história: os padrões aposentados (bolinhas, rana, leopardo) ficam de fora. Se o que você quer é escolher farda para jogar, o guia é outro: camuflagem e vestuário no airsoft.
Sobre as amostras desta página. Elas foram desenhadas por nós a partir da descrição de cada padrão — cores, geometria e proporção. São ilustrações para reconhecimento visual, não fotografias do tecido oficial nem reprodução exata da matriz de impressão. Servem para você bater o olho e dizer “é este”. Para conferência técnica, vá à fonte oficial da corporação.
⚠️ Este catálogo serve para RECONHECER, não para copiar.
Padrão oficial das Forças Armadas e das polícias não é sugestão de farda para o seu jogo. Usar indevidamente uniforme militar é crime tipificado no art. 172 do Código Penal Militar, que vale para qualquer pessoa — civil incluído —, e muitos campos hoje barram na entrada quem chega com padrão oficial. A seção uso de farda oficial no airsoft, mais abaixo, explica o tamanho real do risco.
Você está aqui para saber o que é o que. Para escolher farda, vá ao guia de camuflagem e vestuário.
A família lagarto, e por que quase tudo aqui é vertical
Antes dos padrões um a um, o traço que explica o conjunto: a camuflagem brasileira é dominada pelo lagarto — faixas verticais irregulares e ramificadas, herdadas do lizard francês por influência portuguesa.
Exército, Marinha e Aeronáutica usam a mesma geometria. O que muda de uma força para outra é a paleta. Entender isso resolve metade do reconhecimento: se as listras são verticais e ramificadas, é lagarto, e a cor diz de quem.
A exceção moderna são os digitais, adotados sobretudo pelas polícias a partir dos anos 2010, com blocos quadrados em vez de faixas.
Forças Armadas
Rajada — Exército Brasileiro

O padrão corrente do Exército, adotado em 1986. Listras verticais em verde-escuro e marrom-arroxeado sobre fundo verde-claro.
É a camuflagem brasileira mais reconhecível e a que você mais vê em campo de airsoft — farda de padrão semelhante é barata e fácil de achar no Brasil.
Lagarto de 1977 — Exército Brasileiro

O lagarto original do Exército, de 1977, ainda em circulação. Marrom e verde-floresta sobre fundo areia; a versão inicial incluía preto.
É o avô do Rajada: mesma geometria, fundo mais claro e quente.
Caatinga — Exército Brasileiro

Padrão das unidades de caatinga, dos anos 1980 em diante. Marrom-avermelhado e verde-menta sobre fundo verde-pálido.
A paleta responde ao semiárido: mais terra e menos verde saturado que o Rajada.
Montanha — Exército Brasileiro

Uso restrito, em unidades de montanha, dos anos 1980 em diante. Preto, vermelho e verde-musgo sobre fundo areia.
O vermelho é o traço incomum — é o padrão brasileiro mais fácil de identificar justamente por isso.
Lagarto — Marinha do Brasil

Verde-escuro e verde-oliva sobre fundo verde-claro. A versão contemporânea do lagarto da Marinha, em uso desde os anos 1980.
Paleta monocromática de verdes — sem o marrom que marca o Rajada. É o jeito mais rápido de separar os dois.
Lagarto — Força Aérea Brasileira

Verde-escuro, castanho-avermelhado e azul sobre fundo cáqui, em uso desde os anos 1980.
O azul é a assinatura: nenhum outro padrão brasileiro em serviço o usa. Viu azul no lagarto, é FAB.
BMMCU — Corpo de Fuzileiros Navais
Adotado em 2019 para os Fuzileiros Navais, com desenho voltado a terreno urbano.
Não temos amostra desenhada deste padrão, e é proposital: não localizamos descrição de paleta confiável o bastante para ilustrar sem inventar. Amostra chutada apresentada como referência é pior que amostra nenhuma.
Vale registrar, porque a sigla confunde: apesar do nome, o padrão não é o Multicam norte-americano, que é desenho registrado de outra empresa.
Polícias
Os padrões policiais são mais fragmentados que os militares — cada estado decide o seu, e a rotatividade é alta. Estes são os que estão em uso.
Lagarto urbano — batalhões de choque

Usado por batalhões de choque, entre eles Bahia e São Paulo. Preto e cinza-médio sobre fundo cinza-claro.
Mesma geometria do lagarto militar, paleta transposta para concreto.
Lagarto vertical — Choque de São Paulo

Padrão da COE do Batalhão de Choque paulista. Verde-escuro e verde-oliva sobre fundo verde-pálido — muito próximo do lagarto da Marinha, com fundo mais claro.
Manchado urbano

Preto, cinza-escuro e cáqui-acinzentado sobre fundo cinza-claro, em manchas arredondadas — não em faixas. Registrado em unidades de Goiás, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, inclusive em missões no Timor-Leste.
É a exceção à regra vertical.
Digital urbana — Força Nacional

Padrão digital da Força Nacional de Segurança Pública, em tons de cinza. Existe em mais de uma variante, uma delas com a impressão orientada na vertical.
Digital — BOPE de Pernambuco

Em uso desde 2019. Marrom-claro, verde-oliva e preto sobre fundo cáqui.
Digital deserto — COTAR, Ceará

Do Comando Tático Rural cearense, desde 2018. Digital de deserto com nuance levemente rosada — o detalhe que o separa dos digitais de deserto comuns.
Digital azul — Polícia Militar de Pernambuco

Digital em tons de azul, usado por canil, radiopatrulha e tropa de choque.
Camuflagem azul não esconde em lugar nenhum da natureza — o objetivo aqui é identidade visual e presença, não ocultação. Vale lembrar disso antes de levar para o campo esperando vantagem.
Lagarto pixelado — polícias ambientais
![]()
Usado por polícias ambientais, entre elas São Paulo, Amazonas e Acre — a do Acre com tom mais arroxeado.
É literalmente o que o nome diz: a corporação pegou o lagarto que já usava e o decompôs em blocos. Bom exemplo de como a família vertical sobreviveu à moda do digital.
Os padrões que não têm amostra aqui
Vários órgãos brasileiros usam padrões que são propriedade de terceiros — desenhos comerciais registrados, licenciados ou copiados de outras forças armadas. Nós os descrevemos, mas não os reproduzimos:
| Padrão | Onde aparece no Brasil |
|---|---|
| Multicam | Comando de Operações Táticas da PF, IBAMA (variante verde-escura), Batalhão do Interior de Pernambuco (variante deserto) |
| Multicam Tropic | Batalhão de Fronteira do Paraná, desde 2020 |
| A-TACS AU | Operações aéreas da Polícia Federal, desde 2012-13 |
| MARPAT (variante) | BOPE do Rio de Janeiro |
| Tiger stripe | TIGRE, Polícia Civil do Paraná |
| Seis cores deserto | BOPE do Rio de Janeiro, algumas unidades de caatinga |
Multicam, A-TACS e MARPAT são desenhos de propriedade de empresas ou de forças armadas estrangeiras. Reproduzi-los como ilustração nossa seria copiar obra de terceiro — a mesma razão pela qual as amostras acima foram desenhadas em vez de baixadas.
Uso de farda oficial no airsoft
Esta é a parte que mais gera discussão na comunidade, e a que mais gente erra por achar que “todo mundo usa, então pode”.
O que a lei diz
O art. 172 do Código Penal Militar tipifica: “Usar, indevidamente, uniforme, distintivo ou insígnia militar a que não tenha direito” — pena de detenção, até seis meses. A rubrica do artigo é explícita ao dizer que vale por qualquer pessoa: não é crime só de militar, alcança o civil.
Há também o art. 46 da Lei de Contravenções Penais, que pune usar publicamente uniforme ou distintivo de função pública que não se exerce.
Onde mora a controvérsia
A palavra que decide é “indevidamente”. A jurisprudência já entendeu que civil de calça e camisa em padrão camuflado do Exército, sem as demais peças do uniforme e sem características capazes de enganar terceiros, não comete o crime — faltaria o potencial de confusão que o tipo penal exige.
Mas a jurisprudência é conflitante, e a orientação prudente de quem escreve sobre o tema é direta: atleta de airsoft deveria abandonar o uniforme das Forças Armadas e adotar vestuário alternativo, para não virar alvo de denúncia do Ministério Público Militar.
Ou seja: dá para argumentar que padrão sem insígnia não é crime. Você só não quer ser a pessoa fazendo esse argumento diante de um promotor.
O que acontece na prática, hoje
Independentemente de como um juiz decidiria, muitos organizadores já barram na entrada quem chega com padrão oficial das Forças Armadas ou de corporação policial. Para o campo, é gestão de risco: um jogador fardado no estacionamento ou no posto de gasolina da estrada vira problema para o evento inteiro.
E o risco não é maior dentro do campo — é fora dele. No deslocamento, no posto, na parada para comer, é onde a abordagem acontece.
O que fazer
- Prefira padrão comercial. Existe farda de sobra em padrões que não são de nenhuma corporação brasileira. Resolve o problema inteiro.
- Nunca use insígnia, brasão, nome, posto ou distintivo de unidade real. Isso é o núcleo do que a lei pune, e não tem defesa boa.
- Pergunte ao campo antes de ir. A regra é do organizador, e ela vale mesmo onde a lei seria permissiva.
- Não circule fardado fora do campo. Chegue e saia com roupa civil. É o conselho mais repetido por quem já se deu mal, e o mais fácil de seguir.
- Padrão policial merece o mesmo cuidado — em alguns contextos, mais: ser confundido com policial em serviço é situação pior que ser confundido com militar.
Este guia não é consultoria jurídica. A leitura acima é do texto legal e do debate público sobre ele; caso concreto se resolve com advogado.
O que isso muda para o seu jogo
Escolha pelo terreno, não pela força. O prestígio da corporação não esconde ninguém. Paletas verdes e escuras se saem bem em mata fechada brasileira; terrosas levam vantagem em mata seca e cerrado; cinzas funcionam em CQB e estrutura construída. Você consegue tudo isso em padrão comercial.
O padrão importa menos do que você imagina. Ficar parado, usar sombra e quebrar a silhueta pesam mais que qualquer tecido — o guia de camuflagem e vestuário detalha isso.
Combine com a sua equipe. Em jogo grande, distinguir amigo de inimigo à distância vale mais que fidelidade a qualquer padrão. Ver como montar o loadout.
Fonte
O levantamento dos padrões brasileiros — quais existem, quem usa e desde quando — foi conferido no Camopedia, o catálogo de referência de camuflagem militar mantido pela International Camouflage Uniform Society. O texto e as amostras desta página são nossos; a organização dos fatos deve muito a eles.
Achou erro em algum padrão, ou conhece um que falta aqui? Avise — o guia melhora com quem vê essas fardas de perto.
Perguntas frequentes
- Qual a camuflagem usada pelo Exército Brasileiro hoje?
- O padrão Rajada, adotado em 1986 e ainda o padrão corrente: listras verticais em verde-escuro e marrom-arroxeado sobre fundo verde-claro. Unidades de caatinga e de montanha usam variações da mesma geometria em outras paletas.
- Por que quase toda camuflagem brasileira tem listras verticais?
- Porque a família dominante no Brasil é o lagarto, herdado do padrão lizard francês por influência portuguesa. Exército, Marinha e Aeronáutica usam a mesma geometria de faixas verticais irregulares, mudando a paleta de cores conforme a força e o terreno.
- Qual a diferença entre o lagarto da Marinha e o da Força Aérea?
- A paleta. O da Marinha combina verde-escuro e verde-oliva sobre verde-claro. O da Força Aérea usa verde-escuro, castanho-avermelhado e azul sobre fundo cáqui — o azul é o traço que identifica a FAB à distância.
- Posso usar farda das Forças Armadas para jogar airsoft?
- O recomendável é não usar. O art. 172 do Código Penal Militar pune o uso indevido de uniforme militar por qualquer pessoa, civil incluído, com detenção de até seis meses. Há jurisprudência entendendo que calça e camisa no padrão, sem as demais peças e sem capacidade de enganar terceiros, não configuram o crime — mas as decisões são conflitantes, e muitos campos já barram padrão oficial na entrada. Padrão comercial resolve o problema inteiro.
- É proibido usar camuflagem do Exército no airsoft?
- O que a lei pune é o uso indevido de uniforme militar, e a controvérsia está na palavra indevidamente. Peça isolada em padrão camuflado, sem insígnia e sem potencial de confundir terceiros, já foi julgada como não criminosa, mas isso não é garantia. Insígnia, brasão, nome e posto de unidade real não têm defesa. E a regra do campo vale mesmo onde a lei seria permissiva.
- Por que os campos estão barrando farda militar?
- Por gestão de risco. Um jogador fardado no posto de gasolina ou no estacionamento vira ocorrência policial que respinga no evento inteiro. O risco maior não está dentro do campo, está no deslocamento — por isso a orientação padrão é chegar e sair de roupa civil, trocando no local.
- Qual camuflagem brasileira funciona melhor no airsoft?
- Escolha pela paleta e pelo terreno, em farda de padrão comercial — não pelo padrão oficial de uma corporação, que traz risco legal e é barrado por muitos campos. Verdes escuros rendem em mata fechada, tons terrosos em mata seca e cerrado, cinzas em CQB e estrutura construída.
Continue a leitura
Camuflagem e vestuário no airsoft: o que funciona de verdade
Como escolher camuflagem pelo terreno do campo, que tecido aguenta o calor brasileiro e por que ficar parado esconde mais que qualquer padrão de tecido.
Como montar o loadout de airsoft sem carregar peso à toa
Chest rig ou plate carrier, quantos carregadores, onde colocar cada pouch. Como montar um loadout de airsoft funcional para o seu estilo e terreno de jogo.
O que levar para jogar airsoft: a lista completa do dia
A lista do que colocar na mochila antes de sair de casa: equipamento obrigatório, documentos, roupa, hidratação e o que dá para alugar no campo.
Ou volte para todos os guias, organizados por nível de conhecimento.
